A posição da MAS de Singapura sobre autocustódia e trading sem KYC
A Autoridade Monetária de Singapura (MAS) é uma das instituições reguladoras financeiras mais maduras e, ao mesmo tempo, mais pragmáticas da Ásia. Quando o assunto é autocustódia cripto e trading sem KYC, a posição da MAS é mais nuançada do que muita gente imagina: não é uma abertura irrestrita, mas também não é uma proibição ampla. O que existe é um modelo regulatório em camadas, desenhado para diferenciar ferramentas, usuários e prestadores de serviço.
Este artigo explica em que tipo de ambiente regulatório um usuário em Singapura opera ao usar uma carteira como a OneKey para acessar mercados de perpétuos sem KYC.
Visão geral do marco regulatório da MAS
A regulação de criptoativos em Singapura se apoia principalmente em duas leis:
- Payment Services Act (PSA): em vigor desde 2020, exige que prestadores de serviços envolvendo Digital Payment Tokens (DPTs) obtenham licença junto à MAS.
- Securities and Futures Act (SFA): enquadra tokens digitais e derivativos que atendam à definição de valores mobiliários dentro do regime de mercado de capitais.
Dentro do PSA, as licenças se dividem principalmente em:
- Standard Payment Institution (SPI)
- Major Payment Institution (MPI)
A categoria aplicável depende do porte e do tipo de atividade da plataforma.
A própria MAS lista como serviços regulados de DPT atividades como compra e venda, câmbio e corretagem de tokens digitais de pagamento.
Carteiras de autocustódia: a posição clara da MAS
O ponto central é este: a MAS não trata o software de carteira de autocustódia, por si só, como um “serviço de Digital Payment Token” regulado.
A fronteira regulatória da MAS está no ato de prestar um serviço, não na simples posse ou uso de uma ferramenta tecnológica. Na prática, isso significa que:
- usar uma carteira não custodial, como a OneKey, para gerenciar seus próprios ativos não entra no escopo do PSA;
- desenvolvedores que oferecem software não custodial, até o momento, não precisam de licença PSA apenas por isso;
- usuários individuais que interagem diretamente com smart contracts de DEX on-chain permanecem em uma zona menos definida do ponto de vista regulatório.
Diversos materiais de orientação da MAS diferenciam serviços de custódia de softwares de autocustódia, criando um espaço relativamente claro para o uso legítimo de carteiras não custodiais.
Plataformas sem KYC: a pressão regulatória recai sobre a plataforma
Em Singapura, o peso regulatório tende a recair sobre o operador da plataforma, e não sobre o usuário individual. Essa é uma diferença importante em relação a mercados como Japão e Coreia do Sul.
Em termos práticos:
- plataformas que oferecem serviços de DPT a residentes de Singapura precisam ter licença da MAS ou alguma isenção aplicável;
- plataformas estrangeiras não licenciadas, incluindo muitas DEX sem KYC, podem enfrentar risco regulatório ao fazer marketing para residentes de Singapura;
- usuários individuais que acessam por conta própria plataformas estrangeiras não licenciadas não têm sido, até o momento, alvo de uma linha clara de enforcement direto pela MAS.
Plataformas como Hyperliquid e dYdX normalmente listam jurisdições restritas em seus termos de uso. A forma como Singapura é tratada varia conforme a plataforma, e algumas não implementam bloqueios rígidos por IP para usuários no país.
A visão da MAS sobre DeFi descentralizado
A posição da MAS sobre DeFi ficou mais definida após várias rodadas de discussão pública e consultas regulatórias.
De forma geral:
- protocolos realmente descentralizados, sem uma entidade operacional central clara, levantam dúvidas sobre a aplicação direta do PSA;
- ao mesmo tempo, a MAS deixa claro que a forma tecnológica não determina, sozinha, o tratamento regulatório;
- se uma operação é, na prática, centralizada, o rótulo de “descentralizada” não elimina obrigações regulatórias;
- uma DEX de contratos perpétuos pode ou não cair em atividade regulada, dependendo da arquitetura do protocolo e da substância econômica da operação.
Esse é um traço importante da abordagem de Singapura: a análise não se baseia apenas no rótulo técnico, mas no que a atividade realmente faz e em quem a controla.
O ambiente prático para usuários em Singapura
Considerando o cenário atual, em 2026 usuários em Singapura que utilizam DEX de perpétuos sem KYC operam em um ambiente relativamente flexível em comparação com outros mercados, mas ainda com pontos de atenção.
Resumo prático:
- carteiras de autocustódia: o uso é permitido, e a MAS não interfere diretamente na posse de uma carteira não custodial;
- acesso a DEX estrangeiras não registradas na MAS: existe uma zona cinzenta, especialmente do lado da plataforma;
- trades de alto volume: obrigações fiscais locais, inclusive perante a Inland Revenue Authority of Singapore (IRAS), podem ser relevantes;
- risco de plataforma: ao usar uma plataforma não regulada, o usuário não conta com os mesmos mecanismos de proteção associados a prestadores supervisionados pela MAS.
Tributação em Singapura: outro ponto essencial
O tratamento tributário de ganhos com cripto em Singapura tem características próprias:
- ganhos pessoais de investimento em cripto normalmente não são tributados como ganho de capital;
- trading frequente pode ser caracterizado como atividade empresarial, caso em que a renda pode ser tributável;
- questões envolvendo GST, quando aplicáveis, dependem da natureza específica da transação.
A IRAS já publicou orientações sobre a tributação de tokens digitais. Usuários que operam com frequência ou volumes relevantes devem consultar essas diretrizes e, se necessário, buscar apoio de um profissional tributário qualificado.
OneKey Wallet: uma boa prática para o mercado de Singapura
Dentro do marco regulatório da MAS, a OneKey Wallet funciona como uma ferramenta não custodial alinhada ao princípio de autocustódia. Para usuários cripto em Singapura, ela pode ser uma escolha prática por alguns motivos:
- sua natureza não custodial é compatível com a postura da MAS de não tratar carteiras de autocustódia como serviço regulado de DPT;
- o código aberto oferece maior transparência, com repositórios públicos no GitHub da OneKey;
- as versões em hardware wallet adicionam uma camada física de proteção de chaves privadas, ajudando a reduzir risco de contraparte;
- o suporte multichain atende melhor usuários que interagem com diferentes ecossistemas DeFi.
Para trading de perpétuos, o OneKey Perps oferece um fluxo prático para acessar mercados compatíveis diretamente a partir de uma carteira não custodial. Em Singapura, a abordagem mais prudente é verificar se a plataforma conectada opera de forma compatível com o ambiente regulatório local ou se deixa claro que aceita usuários de Singapura.
Ao conectar DApps via WalletConnect, os recursos de gerenciamento de sessão da OneKey ajudam a reduzir riscos de conexões inseguras. Também é recomendável revisar periodicamente permissões de contratos com ferramentas como Revoke.cash e revogar aprovações desnecessárias.
Singapura vs. outros mercados asiáticos
Singapura continua entre os mercados asiáticos com maior clareza e abertura relativa para cripto, especialmente quando comparada a jurisdições com modelos mais rígidos de identificação obrigatória ou restrições diretas a usuários.
Esse ambiente regulatório é uma das razões pelas quais muitos projetos cripto escolheram Singapura como centro operacional para a Ásia-Pacífico. Ainda assim, “mais aberto” não significa “sem regras”: a MAS segue fortalecendo a supervisão sobre plataformas, principalmente quando há custódia, oferta a residentes locais ou produtos com perfil de maior risco.
FAQ
Q1: Em Singapura, posso usar uma DEX sem KYC?
Tecnicamente, sim. A MAS não mantém, até o momento, uma proibição administrativa direta contra usuários individuais que acessam DEX on-chain. Porém, os termos de uso da plataforma e as exigências regulatórias aplicáveis ao operador continuam relevantes. Usar uma plataforma não licenciada pode envolver risco jurídico e operacional.
Q2: A MAS pode exigir um sistema de nome real como na Coreia do Sul?
Até agora, não há sinal claro nessa direção. A abordagem da MAS é baseada principalmente em licenciamento de plataformas, não em um regime de identificação obrigatória aplicado diretamente a todos os usuários individuais. Isso difere do modelo adotado na Coreia do Sul.
Q3: A OneKey Wallet precisa de registro ou licença em Singapura?
Não. A OneKey Wallet é uma ferramenta de software não custodial. Como não presta custódia nem intermedia diretamente serviços de DPT, seu uso em Singapura não exige uma licença especial do usuário.
Q4: Preciso pagar imposto sobre lucros obtidos em DEX em Singapura?
Se a atividade for tratada como investimento pessoal, Singapura normalmente não cobra imposto sobre ganhos de capital. Mas, se a frequência e a natureza das operações forem interpretadas como atividade comercial, a renda pode ser tributável. Para casos relevantes, consulte um assessor tributário familiarizado com as orientações da IRAS.
Q5: A MAS tomou medidas recentes sobre DeFi?
A MAS publicou, entre 2024 e 2025, documentos e consultas sobre riscos e possíveis abordagens regulatórias para DeFi. A direção geral é uma regulação proporcional ao risco. Até o momento, o foco não tem sido enforcement direto contra usuários individuais de DeFi, mas a supervisão sobre plataformas e operadores segue aumentando.
Conclusão: Singapura é um dos ambientes mais favoráveis à autocustódia na Ásia
Para traders que valorizam autocustódia e soberania sobre os próprios ativos, Singapura segue como um dos mercados asiáticos com maior clareza regulatória. A postura da MAS em relação a carteiras não custodiais oferece uma base relativamente estável para usuários da OneKey Wallet.
Se você mora em Singapura ou trabalha no país e quer organizar melhor sua segurança on-chain, baixar a OneKey Wallet é um passo prático para assumir controle direto dos seus ativos. Para quem opera derivativos cripto, o OneKey Perps pode ser usado como um fluxo conveniente de acesso a perpétuos, sempre com atenção às regras da plataforma, ao risco do produto e ao seu próprio perfil de risco.
Aviso de risco
Este artigo não constitui aconselhamento jurídico, tributário ou financeiro. As políticas da MAS podem mudar, e as informações aqui apresentadas podem se tornar desatualizadas. Trading de derivativos cripto, incluindo contratos perpétuos, envolve alto risco e pode resultar em perdas significativas. Antes de operar, entenda os riscos e consulte profissionais qualificados quando necessário.



