Receita do BitGo no 2º trimestre sobe para US$ 4,33 bilhões, mas as negociações de baixa margem ainda pesam sobre a rentabilidade
Receita do BitGo no 2º trimestre sobe para US$ 4,33 bilhões, mas as negociações de baixa margem ainda pesam sobre a rentabilidade
O relatório trimestral mais recente do BitGo oferece um retrato útil do mercado de infraestrutura cripto em 2025: a demanda institucional continua em expansão, a atividade com stablecoins está acelerando e os ativos na plataforma seguem crescendo. Mas ele também expõe uma verdade dura, muitas vezes ofuscada pelos números de receita: em custódia e corretagem de ativos digitais, escala não se traduz automaticamente em lucros robustos.
Os resultados do segundo trimestre da empresa reforçam essa tensão. A receita aumentou fortemente em relação ao ano anterior, o número de clientes cresceu e os ativos mantidos na plataforma atingiram novos recordes. Ainda assim, o trimestre terminou com prejuízo líquido, enquanto uma de suas maiores fontes de receita contribuiu com apenas uma fração do lucro bruto.
O crescimento da receita foi forte, mas o mix importa
O BitGo reportou receita total de US$ 4,329 bilhões no 2º trimestre, alta de 79,6% na comparação anual e de 14,7% em relação ao trimestre anterior. À primeira vista, esse número coloca a empresa em uma categoria rara entre as companhias cripto: ela já opera em escala trimestral de vários bilhões de dólares.
Mas a verdadeira história está na composição dessa receita.
A maior contribuição veio de Vendas de Ativos Digitais, que geraram cerca de US$ 4,198 bilhões em receita. O problema é que os custos diretos desse negócio ficaram quase no mesmo nível, em US$ 4,190 bilhões. Isso deixou apenas cerca de US$ 7,1 milhões de lucro bruto, ou aproximadamente 17 pontos-base de margem, abaixo dos 32 pontos-base do trimestre anterior.
Em outras palavras, a maior parte do crescimento da linha de receita veio de uma atividade de baixa margem, que aumenta a escala, mas pouco agrega em poder de lucro. Esse é um padrão familiar nos mercados cripto quando fluxos ligados a exchanges ou ao modelo OTC crescem rapidamente: a receita pode disparar sem que haja alavancagem operacional correspondente.
As métricas centrais da plataforma ainda parecem saudáveis
Embora o negócio mais concentrado em transações continue com margens apertadas, a plataforma subjacente segue atraindo mais usuários institucionais.
O BitGo informou que os clientes da plataforma chegaram a 5.833, alta de 26,2% em relação ao ano anterior, enquanto a base de usuários subiu para cerca de 1,2 milhão. Mais importante ainda, a presença da empresa em custódia e staking continuou se expandindo:
- Ativos Normalizados na Plataforma: US$ 65,2 bilhões, alta de 31,4% na comparação anual
- Ativos Normalizados em Staking: US$ 11,9 bilhões, alta de 36,1% na comparação anual
Esses números importam porque apontam para uma adoção institucional mais ampla de custódia, staking e infraestrutura de liquidação em cripto. O mercado já não se resume apenas à negociação especulativa. Ele também envolve gestão de tesouraria, armazenamento seguro de ativos, rendimento via staking e a infraestrutura necessária para as finanças tokenizadas.
Essa mudança mais ampla é consistente com o que muitos observadores vêm acompanhando em todo o setor: as instituições querem trilhos regulados para custódia cripto e uma infraestrutura capaz de suportar stablecoins, ativos tokenizados e liquidação on-chain em escala. A tendência também aparece em pesquisas de organizações como o Banco de Compensações Internacionais sobre tokenização, que têm destacado repetidamente o papel estrutural que o dinheiro programável e os ativos tokenizados podem desempenhar na infraestrutura dos mercados do futuro.
A infraestrutura de stablecoins foi o grande destaque
Se houve uma área que ficou claramente mais forte neste trimestre, foi a das stablecoins.
A receita do BitGo com o modelo Stablecoin-as-a-Service atingiu US$ 38,8 milhões, alta de 148% na comparação anual e de 1,7% em relação ao trimestre anterior. Ainda mais notável, a taxa de monetização subiu para 8,0%, ante 7,4% no 1º trimestre e 2,6% um ano antes.
Isso representa uma melhora significativa na monetização.
Para provedores de infraestrutura cripto, as stablecoins estão se tornando cada vez mais atraentes porque ficam na interseção entre pagamentos, tesouraria e mercados de capitais. Diferentemente da receita puramente ligada a trading, a infraestrutura de stablecoins pode se beneficiar de emissões recorrentes, saldos de reservas e integração contínua à plataforma. À medida que casos de uso em pagamentos globais se expandem e instituições continuam testando a liquidação on-chain, os trilhos de stablecoins se tornaram uma das áreas comercialmente mais promissoras da economia de ativos digitais.
O BitGo afirmou que a alta da receita com stablecoins foi apoiada por novos lançamentos de projetos e por saldos de reservas maiores, e a administração ainda vê espaço para incorporar mais clientes. Essa perspectiva está alinhada a um padrão mais amplo do setor: mais instituições estão saindo da fase de “explorar blockchain” para a de “implantar infraestrutura blockchain”.
A rentabilidade continua sendo o principal problema
Apesar da receita mais forte e de uma economia melhor em stablecoins, o BitGo ainda não apresenta um desempenho limpo na linha final.
A empresa registrou um prejuízo líquido de US$ 19 milhões no 2º trimestre. Isso foi melhor que a perda de US$ 60,7 milhões no 1º trimestre, mas a métrica ajustada foi menos animadora: o EBITDA ajustado negativo piorou para US$ 4,2 milhões, ante US$ 1,7 milhão no trimestre anterior.
Essa divergência é importante. Uma redução no prejuízo líquido pode ser influenciada por efeitos contábeis, variações de marcação a mercado ou normalização de despesas pontuais. No caso do BitGo, a empresa disse que a melhora no prejuízo líquido refletiu principalmente a redução das perdas não realizadas com ativos digitais e a normalização dos custos de remuneração em ações relacionados ao IPO. Mas o desempenho operacional ainda foi pressionado por contribuições mais fracas de vendas de ativos digitais e staking.
Isso significa que o desafio de rentabilidade da empresa não é apenas um problema contábil temporário. Ele é estrutural. Se uma grande parte da receita vem de um negócio com lucro bruto próximo de zero, então a escala por si só não resolverá o perfil de ganhos.
Para investidores e observadores do setor cripto, isso é um lembrete útil de que nem toda receita de infraestrutura tem o mesmo valor. Em ativos digitais, uma empresa pode parecer grande no papel e ainda assim ter dificuldade para transformar crescimento em margem geradora de caixa.
Balanço patrimonial: caixa, bitcoin e nenhuma dívida corporativa
O BitGo encerrou o trimestre com US$ 159 milhões em caixa e equivalentes de caixa e 2.523 BTC em seu próprio balanço, com valor justo de cerca de US$ 147,7 milhões. A empresa também afirmou que não possui dívida corporativa.
Essa combinação lhe dá alguma flexibilidade. Um balanço limpo é especialmente valioso no setor cripto, onde os mercados de financiamento podem apertar rapidamente e a confiança faz diferença. Isso também ajuda a explicar por que a administração se sentiu confortável em autorizar até US$ 50 milhões em recompra de ações.
Ao mesmo tempo, a empresa anunciou planos para reduzir custos e refinar prioridades de investimento, mirando cerca de US$ 15 milhões em economia anual de caixa. É uma decisão sensata se a administração acredita que o negócio está entrando em uma fase mais madura, em que disciplina importa tanto quanto crescimento.
O que isso significa para o mercado cripto
O trimestre do BitGo reflete uma verdade mais ampla sobre o ciclo cripto atual:
-
A adoção institucional continua real.
Custódia, staking e serviços de stablecoins seguem ganhando tração. -
Crescimento de receita não é o mesmo que qualidade de lucro.
Atividades de baixa margem ligadas a trading podem inflar o faturamento sem criar lucro duradouro. -
Stablecoins e tokenização estão se tornando temas centrais de infraestrutura.
Cada vez mais, são essas as áreas em que o encaixe entre produto e mercado, e a monetização, parecem mais fortes. -
Os investidores estão premiando resiliência, não apenas escala.
Em um mercado mais seletivo, as empresas precisam de crescimento e disciplina de margem ao mesmo tempo.
Para os usuários, isso também destaca uma distinção importante. Plataformas institucionais podem lidar com fluxos complexos de tesouraria e liquidação, mas os indivíduos ainda precisam pensar com cuidado sobre como seus ativos são armazenados e quem controla as chaves.
Considerações finais
Os resultados mais recentes do BitGo mostram uma empresa com forte tração de plataforma, receita crescente com stablecoins e alcance institucional em expansão. Mas também evidenciam os limites de um modelo de negócios que ainda depende fortemente de fluxos transacionais de baixa margem.
A lição mais ampla para o setor cripto é que os vencedores em infraestrutura provavelmente serão aqueles que combinarem custódia, compliance e liquidação escalável com verdadeira alavancagem operacional. Isso é especialmente relevante à medida que stablecoins, staking e ativos tokenizados avançam ainda mais rumo ao mainstream.
Para usuários comuns e detentores de longo prazo, a lição é ainda mais simples: quanto mais o setor amadurece, mais importante se torna a autocustódia. Se você quer controle direto sobre seus criptoativos, uma carteira de hardware segura como a OneKey pode ser uma opção prática para gerenciar chaves privadas com uma abordagem priorizando a autocustódia.



