Coinbase vs. Wall Street: Quem Vai Escrever as Próximas Regras do Sistema Financeiro Americano?

30 de jan. de 2026

Coinbase vs. Wall Street: Quem Vai Escrever as Próximas Regras do Sistema Financeiro Americano?

Quando o mundo cripto se limitava a negociações, NFTs e ao famoso “number go up” (número sobe), o confronto com as finanças tradicionais podia ser interpretado como um debate ideológico: descentralização vs. intermediários, redes abertas vs. sistemas fechados.

Mas, a partir do momento em que as criptomoedas passam a tocar seriamente em depósitos bancários e pagamentos — o verdadeiro motor lucrativo do sistema financeiro dos EUA — o conflito deixa de ser filosófico. Ele se torna puramente econômico.

É por isso que o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, vem sendo cada vez mais retratado como uma ameaça direta aos grandes bancos. Em uma matéria do The Wall Street Journal, ele foi descrito como “Inimigo Nº1 de Wall Street” — um sinal claro de que a discussão deixou de ser “As criptos devem existir?” e passou a ser “Quem controla a camada onde o consumidor movimenta seu dinheiro?” (The Wall Street Journal)

Neste artigo, vamos explorar o que realmente está em jogo, como as stablecoins e os pagamentos onchain mudaram as regras do jogo, e o que os usuários de cripto devem observar enquanto Washington e Wall Street correm para definir a próxima arquitetura financeira.


1) O Campo de Batalha Real: Depósitos, Pagamentos e a “Interface do Dinheiro”

Durante décadas, os bancos norte-americanos construíram fortalezas protetoras ao redor de dois pilares fundamentais:

  • Depósitos (fonte barata de capital)
  • Pagamentos (relacionamento direto com o cliente)

Agora, o setor cripto ameaça esses dois fundamentos através das stablecoins — especialmente quando essas moedas estáveis começam a funcionar como uma alternativa melhor à conta corrente tradicional:

  • Transferência 24/7
  • Liquidação quase instantânea
  • Alcance global
  • Programabilidade (composição com DeFi)
  • Possível rendimento ou recompensas

Isso já acontece na prática. A Coinbase promove publicamente os recompensas em USDC como funcionalidade para o consumidor, oferecendo atualmente “Ganhe 3,50% de recompensas ilimitadas com USDC” para membros elegíveis. (Coinbase)

Para os bancos, isso soa perigosamente como concorrência por depósitos — mas sem as mesmas exigências de balanço, exigências de capital regulatório ou custos relacionados a agências físicas.

Quando o “aplicativo cripto” se transforma numa interface de pagamentos e poupança, a reação de Wall Street é natural: lutar por regras que protejam sua vantagem nos depósitos.


2) A Estratégia da Coinbase: Portas Regulatórias + Infraestrutura Onchain

A atuação da Coinbase evoluiu em três fases distintas:

Fase A: Sobreviver à regulação por meio da repressão

Um ponto de virada ocorreu quando a SEC arquivou seu processo civil contra a Coinbase no início de 2025. (Comunicado da SEC)

Embora isso não tenha absolvido a Coinbase, sinalizou uma mudança de abordagem: menos ações punitivas nos tribunais e mais foco em políticas e estrutura regulatória.

Fase B: Ajudar a moldar o novo marco regulatório

Em janeiro de 2025, a SEC criou uma Força-Tarefa de Cripto, com o objetivo explícito de desenvolver regras mais claras e além da repressão. (Comunicado da SEC)

Independentemente de você enxergar a Coinbase como heroína do setor ou simples lobista, o fato é que: se o cripto se torna parte do sistema financeiro mainstream, a maior corretora dos EUA estará presente no momento em que as regras forem escritas.

Fase C: Criar pagamentos que não “parecem cripto”

A forma mais rápida de tornar o uso das stablecoins inevitável é integrando-as ao comércio de sempre.

A parceria da Coinbase para permitir pagamentos em USDC na Base em lojas da Shopify é um exemplo claro: comerciantes podem aceitar dólares digitais sem precisar reinventar seus processos de negócios. (Anúncio da Coinbase)

Por isso o embate Coinbase vs. Wall Street é tão relevante: não é apenas uma disputa regulatória — é também uma disputa por distribuição de produto, por quem vai deter o relacionamento com o cliente no novo mundo das stablecoins.


3) Washington Traçou a Linha: O GENIUS Act Tornou as Stablecoins “Oficialmente Reais”

Em 2025, as stablecoins ultrapassaram um marco importante nos EUA: o presidente Trump sancionou o GENIUS Act em 18 de julho de 2025, criando um arcabouço regulatório federal para stablecoins voltadas a pagamentos. (Casa Branca, Informativo)

Para os usuários de cripto, o mais importante aqui não é o contexto político, mas sim a direção tomada:

  • Stablecoins deixaram de ser experimentos de nicho.
  • Os EUA passaram a reconhecer oficialmente as stablecoins como um elemento estratégico do sistema financeiro.

Um ótimo resumo neutro do que a nova lei estabelece — incluindo regras sobre reservas, exigências às emissores, custódia e proteção em caso de falência — pode ser encontrado no relatório do Congressional Research Service. (Congress.gov / CRS overview)

Por que isso afeta diretamente a disputa Coinbase vs. bancos

Com as stablecoins agora regulamentadas, a próxima questão é: quem tem autorização para distribuí-las e sob quais condições?

É aí que a guerra sobre “recompensas em stablecoin”, rendimento para o consumidor e comportamentos similares a depósitos se intensifica — pois isso influencia diretamente se os bancos manterão ou não sua vantagem no financiamento.


4) Wall Street Não Está Apenas Resistindo — Está Também Adotando

Seria um erro encarar essa disputa como “os bancos odeiam cripto, cripto vencerá mesmo assim”.

A análise mais correta seria:

  • Bancos e infraestrutura tradicional querem os benefícios do blockchain
  • Mas não querem perder o controle sobre distribuição e depósitos

Dois movimentos recentes deixam isso bem claro.

Sinal A: Stablecoins entrando no sistema tradicional de liquidação

Em dezembro de 2025, a Visa anunciou liquidação em USDC nos EUA, permitindo que emissores e adquirentes parceiros liquidem com a Visa utilizando USDC — sem alterar a experiência do consumidor. (Comunicado da Visa)

Tradução: até os gigantes tradicionais estão aderindo às stablecoins quando vivem ganhos em velocidade de liquidação e resiliência operacional.

Sinal B: Tokenização de ativos reais chegando à infraestrutura regulada

Também em dezembro de 2025, a DTCC anunciou que sua subsidiária DTC recebeu uma Carta de Não-Oposição da SEC para oferecer um serviço de tokenização de ativos custodiados pela DTC, com lançamento previsto para a segunda metade de 2026. (Comunicado da DTCC)

Não estamos falando de “DeFi substituindo o tradicional.” Trata-se da absorção da tecnologia onchain nos moldes do sistema financeiro tradicional — sob sua governança.

Um alerta prudente dos reguladores

Ao mesmo tempo, entidades globais como o BIS alertam que stablecoins, sem regulamentações firmes, podem não ser adequadas como base para todo um sistema monetário — principalmente nas questões de integridade e soberania. (Comunicado do BIS)

Logo, Wall Street não quer necessariamente barrar as stablecoins. Ela quer modelá-las para caber dentro das estruturas de poder existentes.


5) Então Quem Vai Decidir o Próximo Passo: Coinbase, Wall Street ou os Reguladores?

Na realidade, três forças irão coescrever os próximos capítulos:

1) Reguladores (e como atuarão em conjunto)

Um dos maiores entraves sempre foi a ambiguidade sobre jurisdições: o que é valor mobiliário, o que é commodity, e quem define o caminho regulatório?

Em janeiro de 2026, SEC e CFTC marcaram um evento público conjunto focado em “harmonização” e liderança dos EUA na era cripto — um claro sinal de que a fragmentação institucional se tornou insustentável. (Anúncio da SEC, CFTC)

2) Congresso (e o que decide permitir ou proibir)

Mesmo com a legislação das stablecoins em vigor, ainda há muito a ser regulamentado: se as plataformas de cripto podem oferecer funcionalidades parecidas com contas, como funciona a custódia e sob qual regulação cada ativo se enquadra.

3) Usuários (através de seu comportamento, não do discurso)

A realidade nua e crua: se os usuários continuarem a preferir stablecoins pela velocidade, acesso global e melhor experiência de uso — o mercado forçará as instituições a se adaptarem.

Se os usuários não confiarem nas stablecoins (ou acharem o uso complexo/riscado), Wall Street vencerá — não por argumentos, mas por inércia.


6) O que os Usuários Cripto Realmente se Importam (e Devem Observar)

Essa narrativa de “Coinbase vs. Wall Street” é importante porque afeta diretamente o dia a dia dos usuários:

A) Recompensas em stablecoin serão tratadas como juros bancários?

Se reguladores decidirem que recompensas equivalem a juros sobre depósitos, prepare-se para:

  • exigências mais rígidas para emissores e distribuidores
  • limites para campanhas de marketing e estrutura de pagamento
  • mais obrigações de conformidade

B) Stablecoins se tornarão mais permissionadas?

Com o aumento regulatório, muitas stablecoins poderão incluir:

  • recursos para congelar/confiscar fundos mediante ordem judicial
  • checagem de endereços mais rigorosa
  • processos de onboarding mais restritivos

Isso melhora a proteção do consumidor, mas enfraquece a premissa de resistência à censura.

C) Os pagamentos vão migrar de forma silenciosa para onchain?

O UX que provavelmente “vencerá” não será aquele que parecer cripto. E sim aquele onde:

  • a liquidação ocorre onchain
  • o usuário vê um fluxo de pagamento tradicional
  • conformidade (KYC/AML) está embutida

Para o usuário, a pergunta se torna: o que você mantém em autocustódia, o que deixa em plataformas, e como gerencia o risco operacional?


7) Conclusão Prática: Autocustódia Ainda Importa na Era Regulamentada das Stablecoins

À medida que stablecoins e ativos tokenizados são integrados às finanças tradicionais, surge um paradoxo:

  • As infraestruturas se tornam mais rápidas, mais onchain
  • Mas os pontos de controle (custódia, compliance, distribuição) tornam-se mais centralizados

Por isso, autocustódia continua sendo um direito fundamental do usuário — não como slogan, mas como ferramenta de mitigação de riscos.

Carteiras físicas como a OneKey mantêm as chaves privadas offline, garantindo uma custódia mais segura para investimentos de longo prazo do que confianças baseadas apenas em contas. Em um mundo no qual stablecoins de pagamento cada vez mais se parecem com produtos financeiros regulados, separar saldos para gastar (plataformas, apps) de custódia de longo prazo (chaves em sua posse) é a forma mais segura de operar.


Conclusão: Não é Cripto contra os Bancos — É a Disputa pela Nova Camada Padrão do Dinheiro

O sistema financeiro dos EUA está sendo redesenhado:

  • Stablecoins estão sendo regulamentadas e normalizadas
  • Processos de pagamento migram para liquidações onchain
  • A tokenização está chegando à infraestrutura de ações
  • Reguladores caminham para maior coordenação

A Coinbase busca ser a interface direta com o consumidor nesse novo cenário. Wall Street luta para garantir que esse futuro ainda passe por seus canais tradicionais.

O próximo capítulo das finanças americanas será determinado por quem conseguir alinhar regulação, distribuição e confiança — e por como os usuários vão enxergar as stablecoins: como um ativo especulativo à parte ou como a nova forma padrão do dólar digital.

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