O que aconteceu com o Ethereum?

4 de fev. de 2026

O que aconteceu com o Ethereum?

De 2021 a 2024, a narrativa pública em torno do Ethereum parecia estranhamente contraditória: o ecossistema estava em plena atividade, mas os usuários reclamavam de fragmentação, pontes complexas e uma sensação crescente de que “tudo o que importa foi para a L2”. No início de 2026, essa narrativa mudou novamente — impulsionada por uma declaração de Vitalik Buterin: a ideia original de que as L2s funcionariam como uma espécie de “sharding com a marca Ethereum” já não condiz com a realidade, pois o Ethereum L1 está escalando de forma significativa por conta própria, enquanto muitas L2s ainda estão longe da descentralização de Nível 2 (Stage 2) — e a interoperabilidade ainda deixa a desejar. Veja o resumo popular desta mudança na reportagem do Decrypt: “Precisamos de um novo caminho”: Vitalik Buterin descarta roteiro focado em L2.

Então, o que realmente aconteceu com o Ethereum — e o que os usuários devem fazer agora?

Neste artigo explicamos, em linguagem simples, por que o Ethereum apostou nos rollups, por que o L1 voltou a crescer, por que o tal “Nível 2” importa e como tudo isso afeta a segurança, a experiência do usuário e o papel de manter ETH em 2026.


1) O Ethereum não “perdeu” — ele se modularizou

O plano pós-merge do Ethereum sempre focou em uma arquitetura modular: manter o Ethereum como a camada mais segura de liquidação e disponibilidade de dados, delegando a execução das transações aos rollups.

O divisor de águas para a economia dos rollups foi o Proto-Danksharding (EIP-4844), que introduziu as transações com blobs — uma faixa de dados temporária e de baixo custo, ideal para rollups. Veja o padrão técnico aqui: EIP-4844: Transações com Blob de Shard. Na prática, os blobs reduziram o custo de envio de dados dos rollups para o L1 e permitiram taxas bem menores nas L2s, mantendo o Ethereum competitivo sem tornar o L1 uma corrida de hardware.

No ensaio mais longo de Vitalik em 2025, Escalando o Ethereum L1 e L2s em 2025 e além, essa estratégia foi definida como uma “manutenção de rota”: as L2s cuidam da escala de transações dos usuários, enquanto o L1 escala a largura de banda dos blobs e, seletivamente, também a execução de atividades que precisam permanecer no L1.


2) O “retorno do L1” é real: limites de gás e throughput de blobs estão subindo

A principal novidade entre 2025 e 2026 é que o Ethereum não está apenas escalando para os rollups — ele está escalando a si mesmo de forma mais agressiva do que muitos esperavam.

Escalando execução no L1 (limite de gás)

Em agosto de 2025, a Ethereum Foundation anunciou uma diretriz clara: acelerar a escalabilidade da execução no L1, com a meta declarada de alcançar 100 milhões de gás com aumentos progressivos e fortalecimento dos clientes. Veja: Atualização de Protocolo 001 – Escalar o L1.

Separadamente, colaboradores da base do Ethereum sugeriram a padronização de um limite de gás maior como padrão nos clientes durante a era Fusaka. Veja: EIP-7935: Definir limite de gás padrão em 60M.

Escalando blobs (disponibilidade de dados)

No aspecto dos dados, o plano do Ethereum é ainda mais direto: aumentar a largura de banda dos blobs para que os rollups possam oferecer taxas mais baixas de forma consistente.

Resumindo, a mensagem é clara: o Ethereum está tratando capacidade de blobs e performance do L1 como prioridades absolutas, não como recursos “legais de ter”.


3) Por que Vitalik diz que “sharding com marca” já não faz sentido

O modelo mental original de “L2s como shards” funcionava bem sob duas premissas:

  1. O L1 continuará com capacidade de execução limitada, então a maior parte da atividade deverá migrar para a L2;
  2. As L2s evoluirão até se tornarem rollups de Nível 2, com controle minimamente confiável e interoperabilidade robusta e padronizada — para que pareçam realmente partes de um único sistema.

Em 2026, ambas as suposições estão frágeis:

  • O L1 está escalando mais rápido que o esperado (limites de gás e desempenho dos clientes estão melhorando).
  • Muitas L2s ainda não operam em modo “sem rodinhas” e talvez nunca queiram — por restrições de produto, preferências de governança ou exigências regulatórias (como resumido no artigo do Decrypt de 3 de fevereiro de 2026: leia aqui).

É aqui que o framework dos Estágios ganha importância: ele ajuda os usuários a distinguirem entre marketing (“somos uma L2 do Ethereum”) e realidade de minimização de confiança.

A explicação clara é mantida pela L2BEAT: O Framework de Estágios. Resumindo:

  • Estágio 0: muitos mecanismos de controle / governança presentes
  • Estágio 1: algumas “rodinhas” ainda existem, mas com provas criptográficas mais fortes
  • Estágio 2: funcionamento “sem rodinhas” (o código tem a palavra final)

O argumento do Vitalik não é que “as L2s são ruins”. Ele defende que o Ethereum pare de fingir que toda L2 é, por padrão, uma extensão confiável do Ethereum — e passe a reconhecer uma variedade de modelos de segurança.


4) O que o Ethereum está se tornando: uma rede com diferentes graus, não uma doutrina única

O modelo mais realista para 2026 é o seguinte:

  • Ethereum L1: escala blobs agressivamente (para os rollups) e aumenta a execução o bastante para suportar liquidações, saídas, provas e infraestrutura crítica como DeFi de alto valor.
  • Rollups: continuam sendo essenciais, mas agora seu “papel” vai além de fornecer transações baratas. Os mais robustos vão se diferenciar por minimização de confiança (Estágio 2), experiência do usuário, interoperabilidade, especialização e baixa latência — não apenas marketing.
  • Usuários: precisam avaliar conscientemente os trade-offs (quem controla atualizações, como funcionam as retiradas, quais são as garantias jurídicas), em vez de presumir que “L2 = segurança do Ethereum”.

Para uma visão geral mais abrangente do que está por vir, a referência oficial continua sendo o guia da Ethereum.org: Escalando o Ethereum.


5) Checklist para usuários: o que realmente importa ao se mover entre L1 e L2 em 2026

Com a queda dos custos e a multiplicação de opções, o maior risco para usuários não é mais apenas “taxas altas”. É supor garantias de confiança que não existem.

Aqui vai uma lista prática de verificação antes de colocar valores significativos em qualquer L2 ou ponte:

A) Verifique o estágio de descentralização do rollup

Use painéis independentes — não confie apenas nas páginas de marketing. Comece aqui: Estágios L2BEAT.

B) Entenda quem pode pausar, atualizar ou interferir

Se um pequeno grupo pode atualizar contratos rapidamente, pausar saques ou mudar os parâmetros de comprovação, sua segurança real depende da confiabilidade desse grupo (e da sua segurança operacional).

C) Trate as pontes como fronteiras de segurança

Mesmo em um mundo centrado nos rollups, as pontes continuam sendo um ponto frágil. Prefira opções mais auditadas, transparentes e com menor necessidade de confiança — e evite mover grandes quantias “só porque está barato”.

D) Gerencie bem o risco de assinatura

Taxas menores incentivam mais assinaturas (mais permissões, mais interações, mais chances de cair em algo malicioso). Bons hábitos ajudam:

  • reduza permissões de tokens
  • separe “gastos diários” do “cofre”
  • verifique sempre o endereço e a intenção da transação

Nesse contexto, carteiras físicas (hardware wallets) podem colaborar muito. Um dispositivo como o OneKey mantém as chaves privadas fora da internet e exige confirmações físicas para ações críticas — ótimo para quem interage com múltiplas redes, dApps e pontes, em um ambiente onde o phishing costuma ser mais perigoso do que falhas de protocolo.


6) Então… o que aconteceu com o Ethereum?

O Ethereum não ficou parado. Ele executou um plano de escalabilidade modular de longo prazo (blobs + rollups) e, agora, entrou numa fase onde o L1 está escalando tanto que muda a narrativa social:

  • O L1 está mais capaz (escalabilidade de execução + melhorias nos clientes).
  • A capacidade de blobs está crescendo com foco estratégico (PeerDAS e além).
  • As L2s continuam centrais — mas agora precisam merecer o status de “shards do Ethereum” por meio de descentralização e interoperabilidade, não por marketing.

Ou seja: o Ethereum não está abandonando as L2s. Está abandonando a ideia de que todas as L2s vão, inevitavelmente, se transformar em réplicas padronizadas do Ethereum. E para os usuários, essa mudança é positiva — porque substitui slogans por garantias reais e comprováveis.

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