Por que o Bitcoin e o Ethereum "Caem com Ativos de Risco", mas Nem Sempre Acompanham na Alta?

30 de jan. de 2026

Por que o Bitcoin e o Ethereum "Caem com Ativos de Risco", mas Nem Sempre Acompanham na Alta?

Quando ações, crédito e ativos de alto beta estão em alta, é intuitivo esperar que o Bitcoin (BTC) e o Ethereum (ETH) liderem esse movimento. No entanto, em vários momentos do mercado ao longo de 2025, muitos investidores notaram o oposto: BTC e ETH geralmente sofriam quedas rápidas nos períodos de aversão ao risco, mas demoravam mais para se recuperar quando o apetite ao risco retornava aos mercados mais amplos.

É tentador resumir isso com uma explicação simples — “cripto é só mais um ativo de risco”. Mas essa narrativa é incompleta. Na verdade, a principal razão muitas vezes vem de dentro do próprio ecossistema: o desalavancamento cripto-nativo e a estrutura de mercado, incluindo onde está a liquidez, como os derivativos estão posicionados e quem são os compradores (ou vendedores) marginais dominando os fluxos.

A seguir, um panorama baseado na estrutura de mercado para entender por que BTC e ETH costumam “seguir a queda”, mas ficam atrás na alta — e quais sinais devemos observar daqui pra frente.


1) A Narrativa Macro É Conveniente — Mas o Cripto Anda com suas Próprias Engrenagens

Sim, BTC e ETH podem se correlacionar com ativos de risco. Mas correlação não explica por que os preços se movem. O setor cripto tem seus próprios mecanismos internos de transmissão:

  • Futuros perpétuos e posições alavancadas podem forçar vendas independentemente do cenário macroeconômico.
  • Fluxos de ETFs são irregulares (fortes em alguns dias, nulos em outros).
  • A fragmentação da liquidez (especialmente entre camadas 2 e corretoras) influencia a velocidade com que a demanda à vista aparece.

Resumindo: o macro define o “humor” do mercado, mas quem determina o resultado é, muitas vezes, a microestrutura do mercado.


2) O Desalavancamento Gera Movimentos Assimétricos: Rápida Queda, Subida Lenta

A principal razão para BTC e ETH caírem com facilidade não é medo — é mecânica.

Em mercados alavancados, as quedas de preço geram um efeito dominó:

  1. O preço cai
  2. As margens se apertam
  3. Posições são reduzidas ou liquidadas
  4. As vendas forçadas empurram o preço ainda mais para baixo

Esse ciclo de realimentação explica por que os movimentos de queda podem parecer acentuados e “inevitáveis”, mesmo quando não há novas informações macroeconômicas.

Pesquisas on-chain e sobre derivativos frequentemente acompanham esse fenômeno por meio da posição em aberto (open interest) e do comportamento de liquidação. Por exemplo, a Glassnode destacou momentos de desalavancagem nos futuros, nos quais o open interest despencou após perdas intensas — um clássico “flush” de alavancagem. (Veja: Nota da Glassnode sobre desalavancagem nos futuros)

Outro indicador estrutural é o prêmio dos futuros da CME, frequentemente usado como termômetro do apetite institucional e da atividade de arbitragem “cash-and-carry”. Quando esse prêmio diminui, o mercado perde uma demanda de compra que ajudava a sustentar o preço à vista. (Veja mais: CoinDesk sobre a compressão do prêmio da CME)

Ponto crucial: Após um “flush” de alavancagem, o mercado está “mais limpo” — mas as altas geralmente precisam de tempo para reconstruir a demanda no mercado à vista. Por isso, os movimentos de alta tendem a ser mais lentos e difíceis do que as quedas.


3) O “Bid dos ETFs” É Real — Mas Não É Contínuo

Os ETFs à vista mudaram profundamente a estrutura do mercado cripto, mas não garantiram entradas diárias constantes.

A demanda via ETF é:

  • episódica (concentrada em certos dias)
  • sensível ao momento de rebalanceamento
  • influenciada por operações de arbitragem e estratégias de hedge

Para enxergar se há uma demanda sustentada por BTC e ETH, em vez de picos isolados, vale acompanhar os fluxos diários públicos e transparentes, como:

Os fluxos específicos de ETH também se tornaram uma narrativa importante em meados de 2025, com períodos de fortes entradas diárias. (Contexto: Investopedia sobre os fluxos recordes de ETF de ETH)

Por que isso importa para a dinâmica de “retardo”? Quando outros ativos de risco sobem, muitas vezes existe um fluxo contínuo de alocadores (recompras, fundos automáticos, planos de aposentadoria). O cripto, por outro lado, precisa de um comprador marginal visível para superar a pressão vendedora remanescente de períodos anteriores de desalavancagem.


4) O Ethereum Tem uma Camada Extra: Captura de Valor vs Sucesso na Escalabilidade

A performance abaixo do esperado do ETH raramente se explica apenas por fatores macroeconômicos. Muito disso tem a ver com como o ETH captura valor em um ecossistema centrado em rollups.

O "Dencun" reduziu custos — mas também mexeu nas taxas

A atualização Dencun do Ethereum introduziu o proto-danksharding (EIP-4844), cuja proposta é tornar os rollups mais baratos. (Visão geral: ethereum.org sobre Dencun e EIP-4844)

Mas reduzir taxas também significa menos ETH queimado via EIP-1559 em certos períodos — o que enfraqueceu uma das teses que previa valorização contínua com base na queima de taxas. A CoinDesk observou que, após o Dencun, a dinâmica de oferta do ETH mudou, pois a queima caiu com as taxas mais baixas. (Referência: ETH volta a ser inflacionário após o Dencun – CoinDesk)

Além disso, a receita com taxas de “blobs” tem sido bastante volátil — e, às vezes, baixa — alimentando debates sobre a real utilização das L2s e a economia do mainnet. (Exemplo: Cointelegraph sobre taxas semanais de blobs em mínimas de 2025)

As melhorias seguem chegando, mas o preço pode ficar atrás dos fundamentos

Apesar das condições adversas, o Ethereum avançou em sua roadmap. O upgrade Pectra foi ativado na mainnet em 7 de maio de 2025, trazendo diversas melhorias de usabilidade e para validadores. (Referência: ethereum.org sobre o Pectra)

Os desenvolvedores também têm enfatizado atualizações focadas, especialmente nos componentes relacionados à escalabilidade, como o PeerDAS, com planos que seguem até 2026. (Fonte: Ethereum Foundation – Checkpoint #3: Junho de 2025)

Resumo: O ETH pode estar se fortalecendo em fundamentos (melhor experiência, maior escalabilidade), mas ainda assim sofrer no curto prazo caso o mercado reavalie sua capacidade de captura de valor ou enfrente condições desfavoráveis de liquidez e alavancagem.


5) BTC e ETH Costumam Virar a “Perna de Financiamento” da Cripto

Durante ciclos especulativos, o capital frequentemente rota para tokens mais voláteis. Ironicamente, isso pode pressionar o BTC e o ETH, porque:

  • servem de fonte de liquidez rápida
  • são colaterais comuns em derivativos
  • são utilizados como hedge contra exposição em altcoins

Assim, quando posições dão errado, os traders vendem o que conseguem vender — e isso geralmente é BTC ou ETH — fazendo-os parecer “líderes da queda”. Por outro lado, quando os mercados sobem, os retornos inicialmente se espalham para ativos menores, dando a impressão de que os grandes “ficaram para trás”.

Isso não é um julgamento sobre a qualidade dos ativos no longo prazo. É uma constatação de como as posições excessivamente concentradas se desfazem.


6) O Que Observar a Seguir: Sinais de que o Mercado Concluiu o Desalavancamento

Se a raiz do problema está na alavancagem e estrutura, os sinais de recuperação também são estruturais:

  • Estabilização dos futuros: o open interest para de cair; o funding volta ao normal (sem extremos prolongados).
  • Demanda à vista se sustenta: períodos de semanas com fluxos positivos nos ETFs, e não apenas picos pontuais.
  • Melhora nos sinais de taxas do Ethereum: uso consistente de blobs e dinâmica saudável entre taxas e queima.
  • Maior participação em derivativos regulados (sem repetir os riscos da alavancagem de varejo): diversificação de plataformas e mais profundidade de hedge pode reduzir os ciclos de liquidação forçada.

7) Conclusões Práticas para Investidores de Longo Prazo

  1. Não confunda “ficar para trás” com estar “quebrado”. Em muitos períodos, BTC e ETH apenas estão absorvendo desalavancagem e reposicionamento.
  2. Trate a alavancagem como uma variável de mercado, não uma ferramenta pessoal. Mesmo que você não use alavancagem, as liquidações afetam as posições à vista que você possui.
  3. Autocustódia é essencial durante o desalavancamento. Quando a volatilidade aumenta, os riscos de custódia e operacionais tendem a aparecer nos piores momentos.

Se você pretende permanecer com BTC e ETH durante essas transições estruturais, manter seus ativos em uma carteira hardware pode te ajudar a focar na segurança de longo prazo em vez do ruído de mercado de curto prazo. O OneKey é projetado para armazenar chaves offline e facilitar a autocustódia — especialmente útil quando quedas de mercado são causadas por vendas forçadas e você quer reduzir a exposição a terceiros.

Este artigo é apenas para fins informativos e não constitui recomendação de investimento.

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